domingo, abril 03, 2011
Filósofos de que nunca ouvi falar (I)
Willian Getaway (1910-1996), filósofo inglês solipsista, considerou em um dos poucos escritos relegados à posteridade que “o homem é a dor a que si mesmo aflige.” Dor, haja o estado constante de incômodo por que se depaupera e de que apavorado foge. Aplicada a si mesmo e, portanto, imanente, pois não há como conceber algoz à vítima (a não ser pela vontade de se vitimizar) sem ignorar os princípios de harmonia e equilíbrio geridos por leis intransponíveis análogas às que descrevem o fenômeno físico mais elementar. Teísta, escreveu em seu monumental, mas pouco conhecido, A Metafísica do Ignorante, que quem ousa acreditar em Deus não pode fazê-lo sem, antes, conhecer-se a si mesmo, de tal modo “o crente ignorante de si jamais reconhecerá a Deus.” Mas entre Deus e o homem a morte se interpõe, ora qual senda incontornável, ora qual obstáculo invencível. Somente quem arrosta a morte, ou as razões últimas da própria existência, pode superar a angústia que assalta a humanidade ao longo da vida, e mesmo fazer cessar a cansativa fuga de si mesmo que o homem empreende ao longo do tempo. Tudo mais, segundo naturalmente conclui, é medo da morte e fuga absurda e cínica. Cercado de amigos e familiares, morreu na Sardenha sozinho e preocupado.
domingo, março 06, 2011
domingo, fevereiro 20, 2011
sábado, fevereiro 19, 2011
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
sábado, janeiro 29, 2011
quinta-feira, janeiro 27, 2011
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Nos meus dias de infância, minha mãe reagia às estripulias mais arrojadas mandando-me para a China comunista. Naquele tempo, não fazia clara idéia nem imaginava o alcance daquela praga que soaria como uma brincadeira, destituída de qualquer ameaça efetiva à minha integridade, não fosse a fisionomia severa que a acompanhava. Hoje percebo o eufemismo, pois era o mesmo que prescrever o inferno, ou algo semelhante ao experimentado pelo bailarino Li Cunxin, quem, aliás, realizou interessante documento daquele período difícil para humanidade (e, sobretudo, para os chineses) em seu livro Adeus, China (o último bailarino de Mao), aqui no Brasil pela editora Fundamento . As privações da população camponesa, a falta de liberdade, a opressão, a loucura de uma época fundamental não apenas para a ciência de uma nação tão singular, mas também para entender os percalços da humanidade, a esperança, Li Cunxin descreve em um estilo singelo, mas autêntico, em uma autobiografia que surpreende e comove.
Sobre o tema, recomendo aos cinéfilos o excelente Balzac e a Costureirinha Chinesa, de Dai Sijie, e Três Gerações, Um Destino, de Young Hou.
domingo, janeiro 23, 2011
sexta-feira, janeiro 21, 2011
quinta-feira, janeiro 20, 2011
sábado, janeiro 15, 2011
Naquele inverno, houve relatos nos jornais de um iceberg do tamanho de um galeão flutuando num ranger majestoso pelos penhascos de St. Hauda’s Land, de um porco que fungava levando andarilhos perdidos dos morros para o precipício abaixo de Lomdendol Tor, de um espantado ornitologista contando cinco corvos albinos numa revoada de duzentos. Mas Midas Crook não lia os jornais, apenas olhava as fotografias.
domingo, janeiro 09, 2011
segunda-feira, janeiro 03, 2011
Apontamentos para 2011. Os vícios nos acompanham constantemente. Mesmo que não buscássemos nenhuma outra coisa saudável, retirar-se, por si só, ainda poderia ser proveitoso, pois nos tornaria melhores do que somos. (Sêneca, filósofo e político, entre outras coisas). Se quiser mudar o mundo, comece mudando a si mesmo. (Seu Pôncio, morador de rua; gosta da palavra abnegado, entre outras).
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