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domingo, outubro 23, 2011

"Senta", "senta", bradava um homem enquanto latia o seu cão, numa comovente cena de mútuo aprendizado. 

segunda-feira, agosto 22, 2011


O pensamento, sem dúvida, é o meu claustro preferido. Nenhum outro traz uma janela tão ampla e iluminada a que mesmo faria supor irrestrita liberdade, não fosse sua altura imponderável.  

segunda-feira, agosto 08, 2011

segunda-feira, junho 20, 2011

sexta-feira, abril 29, 2011

Entrenando mi español.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Ainda sobre gastrópodes e afins...

terça-feira, janeiro 18, 2011
















This is not a shit! (ou fim de férias)

quinta-feira, setembro 23, 2010

Fui, por esses dias, questionado sobre o que faria às vésperas do fim do mundo. Após algum instante, a única coisa que me ocorreu foi o mar. Disseram-me que iriam ao cinema, mas acho improvável: seria uma despedida muito dolorosa, pensando melhor. Passaria meus últimos instantes no planeta diante do mar, imenso e interminável como o universo que me esperava. Só ao mar permitiria presenciar a minha provável agonia de ser ainda ignorante e limitado, o mar a que tudo acolhe e transmuta, indiferente à mesquinharia humana.
Oração: que Miles Davis e Dizzy Gillespie estejam entre os anjos do apocalipse.

domingo, agosto 15, 2010

Recomendações do sr. Iván Ivánitch à sra. Mária Pietróvna

Daria por ela o meu reino, o cavalo e 1/4 de meu fígado.

domingo, janeiro 18, 2009

Retorno, enfim, à aridez do centro-oeste brasileiro, sítio de atmosfera sensivelmente mais densa que o litoral, quase sempre fuliginosa, livre de umidade, a nos irritar os olhos e a nos fazer partir os lábios num sorriso doloroso. Do tópico ao atópico como diria Bachelard, mas quem sou eu para me opor, vez livre e diante do universo de experiências e oportunidades peculiares. E se aqui nada me falta, não fosse o mar e as práticas de espontânea cordialidade, impossíveis à abstração! Todavia, eis também aqui grande ensejo à desintegração do “lugar”, do leito natal ao que nos vinculamos afetivamente à guisa de norte ou reserva energética. Eis que fora não pertenço a outro local senão à lembrança mais e mais remota, que se confunde com a própria existência. O lugar, assim, instala-se sutilmente nos recônditos da memória que nos habita, de modo a sermos, nós exilados, nosso próprio lar, alheios às raízes topográficas e cada vez mais próximos de uma pátria universal.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Deixava o Fórum não sem pressa, em mais uma sexta-feira de promessas infundadas. Livre! Corri para alcançar o carro estacionado a duas quadras. Muito barulho, muitos carros, muitos carros e o céu que ameaçava chuva iminente. Andava com pressa e à minha esquerda uma escola. Uma banda de fanfarra claudicava uma marchinha conhecida. Sinal verde, muitos carros, o carrilhão insistia longe. À minha esquerda, uma escola, um casal conversava, um relâmpago, o sinal vermelho. Vi uma garotinha junto ao casal. Ela me acompanhava com os olhos de interesse longínquo. A fanfarra havia cessado; com interesse também acompanhava sua curiosidade viva, natural. Segui caminho observado enquanto observava atento quase em transe. Sinal verde, sinal vermelho, deveria atravessar, acenei para ela. Ela acenou como se importasse e, já distante, sorri com toda minha infância.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Escrito em um comprovante de compra de água mineral 1500 ml, Rua do Catete, 245, RJ
O desejo de escrever é insuperável e percebo que, quanto mais distante esteja, mais a memória transborda, o que me faz supor o ato de escrever uma tentativa de se evitar a desmemória. De outro modo, me pergunto, como ser fiel à memória que, longe de mero repositório de imagens, mostra-se fluidia, quase vaporosa? Talvez a memória não exija fidelidade e mesmo só exista porque reconstruída a cada evocação, que está no agora.

domingo, outubro 14, 2007

Prolixo
Desde a 5ª vez que te vi, gostei de você. Ainda distante, como sempre distante, mas quem sabia, de algum modo, a observar. Vi teus olhos, estranhei, os vi negros, embora tão clara. Depois as músicas, te vi dançar, sorrir, dançar sorrindo e novamente distante, cansada, a uma mesa. Te vi beber, sorrir, ainda distante, e brinquei com teu nome, nada de mais. Te vi cuidar e, de ter cuidados, exceder, sorrir e o mundo parar. Comer cachorro quente e comentar, à música predileta, sobre o dia prestes a surgir. Desde a 5ª vez, ainda distante e agora a ordenar, vire à esquerda seu tonto! Aprendi o teu nome, memorizei os teus olhos, gravei a tua voz clara como a ensaiar o dia. Vamos ao cinema?

sábado, outubro 21, 2006

Reencontro
Passamos pelos etílicos sem repousar os olhos nas garrafas que nos acenavam das prateleiras. Sabíamos o quanto eram persuasivas e tanto mais se a idade pesasse em rótulos já ásperos de esperar. Passamos, assim, sem arriscar às tentações que tomavam a atmosfera com sutil odor. “Etílico”, disse pensando imediatamente em Poe, talvez pelo célebre conto em cuja trama o vinho era pretexto. M. sugeriu o suco, ou foi C., não sei bem ao certo. Havíamos saciado a fome com alguns sanduíches de modo que o suco surgia como uma extravagância, uma celebração à inusitada amizade confirmada, então, pelo consenso: suco de maçã.
Encontrei M. na livraria. Era mais um dia como qualquer outro, ou seja, de modorra e resignação, suavizado pelo instinto de auto-preservação que tolera a vida sem explicações. Não obstante a cautela, encontramo-nos no dia seguinte. Fui apresentado a C. que manteve sobre mim um olhar perscrutador de quem perquire à alma o que se passa. E como não! Todos reagem assim a um estranho, a alguém que há pouco não houvera notícias senão pela promessa do acaso. C. tinha um ar de cigana romena, daquelas que sem maiores cerimônias buscam nas linhas das mãos as indiscrições da vida. Confesso que não temi, muito embora. Sentia-me mesmo à vontade, e não apenas com C., quem me inspirava confiança, mas com M., por quem já tinha estima. Por um instante pensei em negar tudo aquilo e recorrer à segurança anônima. Mas como poderia fazê-lo sem enfrentar o contentamento que surpreendia em meu íntimo? Deixei estar, pois, temendo os revezes da ingratidão.

sábado, outubro 07, 2006











Você é lembrança recente, que ainda não decantou nas profundezas da memória, o que faz de você quase real.


Intimidade

"Há vários motivos para não amar um pessoa e um só para amá-la; este prevalece."

Se uma nota valesse epígrafe, dedicaria esta ao dia que registro, desde o nascedouro. À atmosfera de excelentes ares assomam-se uns cheiros romanescos, umas músicas que acariciam o espírito. Quis registrar tudo em super-oito: o passeio, os sorrisos, os acanhamentos, o estender das mãos para chamar o ônibus. Tenho as cenas de um amadorismo incrível; a sincronia inconstante, as impurezas que dão autenticidade, o cépia que pede distância. E tudo urdido com amor, o que é bastante.
Por que o amor nos deixa tão leves? Talvez seja antes uma condição que um efeito. Talvez a intimidade que requer tal estado faça-nos despojados dos medos, dos temores que mais das vezes nos entorpece à vida.
...
A lucidez de um romântico pode ser loucura em versos. Que se me deixem os versos, pois, se não na forma, nas idéias.