domingo, fevereiro 20, 2011

Creio, há algo do sentimento que as linguagens que expressam as idéias do ordinário não conseguem recepcionar, quanto menos transmitir com assumida fidelidade. Contudo, percebo nas artes a melhor tentativa de fazê-lo.

sábado, fevereiro 19, 2011


The pearl earring
(ou "não já nos vïmos?", ou "hum, te conheço de algum lugar...")

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

O futebol serve muito bem à poesia,
bem assim, o aneurisma é excelente!
(Caderno de rascunhos de Manoel de Barros) 

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Café filosófico (ou flerte improvável)

sábado, janeiro 29, 2011

Ao querido troglodita...

quinta-feira, janeiro 27, 2011


"Reciclagem", por  Alejandro S. Ramírez (ativista mexicano do Save Our Liquorice)

As certezas, sim, podemos reciclar a maior parte, mas o custo-benefício as torna inviáveis.
Os trocadilhos não têm jeito, e os infames sobreviverão à humanidade. 

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Nos meus dias de infância, minha mãe reagia às estripulias mais arrojadas mandando-me para a China comunista. Naquele tempo, não fazia clara idéia nem imaginava o alcance daquela praga que soaria como uma brincadeira, destituída de qualquer ameaça efetiva à minha integridade, não fosse a fisionomia severa que a acompanhava. Hoje percebo o eufemismo, pois era o mesmo que prescrever o inferno, ou algo semelhante ao experimentado pelo bailarino Li Cunxin, quem, aliás, realizou interessante documento daquele período difícil para humanidade (e, sobretudo, para os chineses) em seu livro Adeus, China (o último bailarino de Mao), aqui no Brasil pela editora Fundamento . As privações da população camponesa, a falta de liberdade, a opressão, a loucura de uma época fundamental não apenas para a ciência de uma nação tão singular, mas também para entender os percalços da humanidade, a esperança, Li Cunxin descreve em um estilo singelo, mas autêntico, em uma autobiografia que surpreende e comove.
Sobre o tema, recomendo aos cinéfilos o excelente Balzac e a Costureirinha Chinesa, de Dai Sijie, e Três Gerações, Um Destino, de Young Hou.

domingo, janeiro 23, 2011

O corpo canta!

sexta-feira, janeiro 21, 2011

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Milagres
Amanhece. De uma janela, Chet Baker anuncia a vida que desperta.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Ainda sobre gastrópodes e afins...

terça-feira, janeiro 18, 2011
















This is not a shit! (ou fim de férias)

sábado, janeiro 15, 2011

Leitura de viagem (vale sobretudo pelas sensações proporcionadas por uma estética inusitada, sem maiores apelos intelectuais, mas com profundo desejo de liberdade capaz de criar um universo exuberante, pois daí o permanente estado de novidade, de deleite)
Naquele inverno, houve relatos nos jornais de um iceberg do tamanho de um galeão flutuando num ranger majestoso pelos penhascos de St. Hauda’s Land, de um porco que fungava levando andarilhos perdidos dos morros para o precipício abaixo de Lomdendol Tor, de um espantado ornitologista contando cinco corvos albinos numa revoada de duzentos. Mas Midas Crook não lia os jornais, apenas olhava as fotografias.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Go where? (Jeffar Khaldi, óleo sobre tela, 2009)

domingo, janeiro 09, 2011

Cauteloso, adiava o suicídio fumando, enquanto assistia ao programa dominical predileto.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Apontamentos para 2011. Os vícios nos acompanham constantemente. Mesmo que não buscássemos nenhuma outra coisa saudável, retirar-se, por si só, ainda poderia ser proveitoso, pois nos tornaria melhores do que somos. (Sêneca, filósofo e político, entre outras coisas). Se quiser mudar o mundo, comece mudando a si mesmo. (Seu Pôncio, morador de rua; gosta da palavra abnegado, entre outras).

domingo, janeiro 02, 2011

Um nostálgico lançou-se ao rio. Preso ao passado, afundou rapidamente.

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Durante as férias, acordar cedo nem sempre é tarefa muito simples e não raro requer estímulo extraordinário. Recorri, à maneira de reflexo elementar mais primitivo, à programação do sesctv que mais das vezes privilegia as artes plásticas ou a dança. E lá estava no programa O Mundo da Arte um tal de Newton Mesquita sobre quem nunca ouvira falar. Precipitei-me em prevenções, pois àquela hora da manhã estava pouco disposto aos conceitos que justificam a arte moderna. Dá muito trabalho, pensei, e, ademais, exige uma condescendência que reputo nociva ao progresso humano. Mas, que surpresa! Era arte genuína, honesta e sem subterfúgios mirabolantes; e o que digo poderia soar reacionário, não fossem as reproduções cansativas e estéreis que pululam incansáveis por aí. Certamente não é o caso da obra desse paulistano que empresta à paisagem quotidiana as cores inusitadas com as quais ilumina ou desvela o pormenor mais comezinho. Gostei sobretudo das imperfeições (marcas das pinceladas, cores improváveis, etc.) premeditadas, registro de autenticidade percebido conforme nos aproximamos da tela.

domingo, novembro 21, 2010

Semana passada, assisti ao espetáculo Lanternas Vermelhas, do magnífico Balé Nacional da China, o que me fez tomar algumas decisões. Uma delas, única a que dedicarei comentário aqui, diz respeito aos eventos amadores. Não os assistirei mais, pelo menos àqueles produzidos e executados por companhias que se autointitulam amadoras. Não, isso é preguiça disfarçada de honestidade, de tal modo a transigência deve ter limite se se deseja o franco progresso ao mundo. O amadorismo é estado transitório, que precede o pleno domínio da técnica e da compreensão da arte, o que só o estudo devotado e o indispensável talento podem garantir. Pensar em atividade amadora e indiferente ao aprimoramento necessário à manifestação das potências inesgotáveis da arte, da grande arte, seria um retrocesso aos arcanos de ritos ancestrais, assombrados pela ingerência estéril que se satisfaz com a mera reprodução estagnada. O destino da arte está com a função que a legitima qual adjutório ao refinamento humano e é imperioso que cada um auxilie no seu aperfeiçoamento, caso contrário, penso, legaremos às gerações futuras o convívio lastimável com práticas assustadoramente primitivas que nos detêm na precariedade animal.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Lanternas Vermelhas. Ballet Nacional da China, direção de Zhang Yimou, de 10 a 14 de novembro, Teatro Bradesco, SP.