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domingo, outubro 02, 2011


Os símios das leis
Helmut Evans, veterinário, professor e especialista no comportamento dos símios (The Simious’ Complaints, A Medical Times ed.,2004), decidido a comprovar a excepcional inteligência de Ryah e Uzy, uma chimpanzé e um orangotango respectivamente, criou um programa de 24 módulos (em 2 anos) para instruir os primatas acerca de leis e princípios jurídicos. Passado aquele período, Ryah apresentou acentuada inquietação que, não raro, progredia à franca agressividade, prostrando-se, finalmente, em inexplicável estado catatônico. Uzy, por sua vez, demonstrou ter perdido o interesse por qualquer outra coisa distinta dos preceitos e das regras gerais, de modo a dormir com volumosas edições, as quais repelia em seguida durante convulsões sonambúlicas. Segundo Helmut, tanto Ryah quanto Uzy costumavam “chorar” quando diante das profundas limitações que os impediam de articular a sentença desejada. Satisfeito com o resultado, embora este impreciso, arriscou o professor que não fosse a indisciplina tão natural aos primatas, dariam excelentes magistrados. (Daily Oklahoman, 02/05/2010).                                

sábado, setembro 24, 2011

"Um dia serei teu", disse à sua amada o mais apaixonado dos narcisistas.

terça-feira, julho 26, 2011

"Ah, sim... ouvíamos David Bowie enquanto estudávamos algumas bromeliáceas nos trópicos. Eram tempos incríveis aqueles." (W. S. Conrad, pesquisador do Cambridge University Botanic Garden, New Scientist, ed. 2812).  

sexta-feira, abril 29, 2011

Buenos Aires, Argentina, 2011. 

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

O futebol serve muito bem à poesia,
bem assim, o aneurisma é excelente!
(Caderno de rascunhos de Manoel de Barros) 

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Café filosófico (ou flerte improvável)

quinta-feira, janeiro 27, 2011


"Reciclagem", por  Alejandro S. Ramírez (ativista mexicano do Save Our Liquorice)

As certezas, sim, podemos reciclar a maior parte, mas o custo-benefício as torna inviáveis.
Os trocadilhos não têm jeito, e os infames sobreviverão à humanidade. 

domingo, janeiro 23, 2011

O corpo canta!

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Milagres
Amanhece. De uma janela, Chet Baker anuncia a vida que desperta.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Apontamentos para 2011. Os vícios nos acompanham constantemente. Mesmo que não buscássemos nenhuma outra coisa saudável, retirar-se, por si só, ainda poderia ser proveitoso, pois nos tornaria melhores do que somos. (Sêneca, filósofo e político, entre outras coisas). Se quiser mudar o mundo, comece mudando a si mesmo. (Seu Pôncio, morador de rua; gosta da palavra abnegado, entre outras).

domingo, janeiro 02, 2011

Um nostálgico lançou-se ao rio. Preso ao passado, afundou rapidamente.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Anotação atribuída a um suposto J. Dubois, escrita no final do capítulo IV de uma edição de L`étranger, de Camus, Éditions Gallimard; recolhida e posta ao vernáculo por E. Basile.
Compartilho da mesma verdade de uma pedra e a leitura não me deixou mais sábio. Tampouco os títulos aqui amarrotados no bolso asseguram-me a sobrevivência da alma, conquanto me certifiquem qualidades surpreendentemente inúteis. Velho, não temo o homem, mas me constranjo sob o universo indiferente e ainda incompreensível. Quem de Euclides a Heisenberg se atreveu a alguma certeza? Não, o conhecimento humano a ignora, talvez porque impossível aos limites de um cérebro. A existência, pois, afigura-se ensaio inexaurível ao perfeccionista, quando não uma pantomima mal acabada e enfadonha ao transigente. Morrerei em breve e o cansaço será o consolo mais honesto. Cessarei encorajado pelas forças que me deixarão furtivamente, a pedir silêncio aos que ainda deliram com a imortalidade do corpo.

terça-feira, outubro 12, 2010


¡Chica, deja esto antes que te atrapen!(La Prensa de La Rioja, abril, 2002)

domingo, outubro 10, 2010


A semelhança era evidente e disse para mim mesmo: eis aí o Papai Noel. Para a minha eterna surpresa, pois não me entrego fácil à perfunctória evidência, acolheu em sua candidatura a ilustre alcunha. Bem assim o reencontrava, agora a confirmar minha irreverente assertiva, em horário eleitoral tão exíguo para sua ínclita figura. Não foi eleito, se bem conquistou um número de eleitores que superava a expectativa mais otimista, contando votos que ultrapassavam mesmo aqueles mais experimentados ao pleito. Fiquei algo desapontado, confesso, pois nutria desejo íntimo de tê-lo meu representante; e quem melhor senão o próprio Papai Noel?!, lamentava incompreensivo. Pressenti, por fração absurda de instante, a infância que emergia com seus caprichos insólitos. Infância simples e desorientada, que confia a própria vida ao primeiro estranho que lhe aparece amistoso. Será este desconhecido a fortaleza que manterá o ser frágil e sem autonomia longe do perigo sorrateiro; quem proverá à inabilidade dos primeiros anos; ele, pai zeloso, cicerone pronto ao auxílio nas primeiras incursões pela noite inconsciente, e de quem por fim nos desvencilhamos ao raiar do dia. Mas antes que sobrevenham as indeclináveis injunções naturais, muito é feito para que o arquétipo benevolente e protetor nos impinja a nódoa indelével da dependência que, assombrada pelo temor do desamparo, dá causa ao comportamento imaturo e leviano. Então, seguem alguns habituados no excesso ou ressentidos da ausência, a reclamar a presença paterna agora difusa no universo restrito de suas realizações. Por conta disso, apenas suponho, elege-se não o administrador, mas o pai, ainda que menos apto ao governo, pois único capaz de atender às extravagâncias de uma sociedade que se revela imatura, qual a criança indefesa, isenta de responsabilidades por desconhecer as razões que motivam a própria existência. Talvez não por diversos motivos também se crê na personalidade quer-se tão humana, conquanto munida de atributos incríveis, que cuida de cada indivíduo como se pessoalmente, numa prática incessante e subversora de leis que precedem a raça humana. De qualquer modo, a solução parece mais uma vez pertencer ao tempo e sua fábrica de monstros e anjos. Até o Natal!

quinta-feira, setembro 23, 2010

Fui, por esses dias, questionado sobre o que faria às vésperas do fim do mundo. Após algum instante, a única coisa que me ocorreu foi o mar. Disseram-me que iriam ao cinema, mas acho improvável: seria uma despedida muito dolorosa, pensando melhor. Passaria meus últimos instantes no planeta diante do mar, imenso e interminável como o universo que me esperava. Só ao mar permitiria presenciar a minha provável agonia de ser ainda ignorante e limitado, o mar a que tudo acolhe e transmuta, indiferente à mesquinharia humana.
Oração: que Miles Davis e Dizzy Gillespie estejam entre os anjos do apocalipse.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Excerto recolhido de velha dedicatória escrita no frontispício de uma edição espanhola de Os Irmãos Karamazov, oferecida à senhorita T.
Amor! Confesso a estranheza do vocativo a que tantos devotam à dor. Então, não seria amor, pois não me aflige o peito, tampouco o sono me abandona o leito, por te adivinhar, quem sabe, no sonho acolhedor. E se te penso, quede a angústia, o pavor que a perda assola? O golpe sorrateiro, onde?, que consome dia afora. Talvez, não ame, enfim, e dócil apenas abrace o destino, seguro de que o próximo passo, eis que não mais sozinho, será o mais importante, pois ao teu lado.

domingo, agosto 22, 2010

Fui assistir à peça de que falei, de Bernard Shaw, adorei e até agora algo me comove, como se faz comover o ser humano que presencia a luminosa inteligência, não pela vã prepotência de si mesmo, mas por entender algo divino que se manifesta indubitável no outro. Desejei a tua presença ali, naquele teatro, ora rutilante por cada gesto confiado à memória, pelas palavras que surpreendiam incomum utilidade; como quis teu sorriso, talvez a tua satisfação de reencontrar a humanidade tão nossa, recolhida nos porões da indulgência diária, onde alimentamos uma paciência monstruosa.

domingo, agosto 15, 2010

Recomendações do sr. Iván Ivánitch à sra. Mária Pietróvna

Daria por ela o meu reino, o cavalo e 1/4 de meu fígado.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Profecia anacrônica
Templos são erigidos para arrebanhamento de “vítimas” adeptas à autopiedade, pretensamente protegidas na casa paterna, imunes às misérias que assediam os homens. Faz supor ingênua disposição à crença ancestral que professa o povo escolhido, uma degenerescência das faculdades intelectivas e morais, tributária da arrogância que ilude o mais simplório dos homens.